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	<title>Portal da Energia &#187; Luis de Sousa</title>
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	<description>Geopolítica da Energia, GeoDireito, Geopolítica Financeira, Bioética da Energética.</description>
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		<title>O Pico do Petróleo</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 20:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis de Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geopolítica da Energia]]></category>
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		<category><![CDATA[Petróleo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos dias que correm o crescimento exponencial é aparentemente algo intrínseco à Sociedade. Depois de século e meio de crescimento económico e populacional sem precedentes a Sociedade moderna não espera outra coisa que não seja mais crescimento. Se não existir crescimento exponencial do consumo, da riqueza, da população, a Sociedade preocupa-se como estando em “crise”. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos dias que correm o crescimento exponencial é aparentemente algo intrínseco à Sociedade. Depois de século e meio de crescimento económico e populacional sem precedentes a Sociedade moderna não espera outra coisa que não seja mais crescimento. Se não existir crescimento exponencial do consumo, da riqueza, da população, a Sociedade preocupa-se como estando em “crise”.</p>
<p>Mas pode o crescimento exponencial continuar para sempre? Como podem os gráficos de consumo de recursos naturais continuar a apontar para cima se a Terra é um planeta, cujas dimensões são finitas? A questões semelhantes tentou responder por volta da década de 1930 um geofísico texano de nome M. King Hubbert, tentando modelar a produção futura de recursos naturais, em especial o petróleo.</p>
<p><a href="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_europa.jpg"><img class="size-medium wp-image-516 alignleft" title="luis_europa" src="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_europa-300x187.jpg" alt="luis_europa" width="300" height="187" align="left" /></a>Foi com dificuldade que o trabalho de Hubbert chegou ao público, apenas em 1956, altura em que era chefe da divisão de investigação da companhia petrolífera Shell nos EUA, que confrontou a indústria numa conferência do Instituto Americano do Petróleo. Apresentou uma projecção da produção futura de Petróleo nos EUA utilizando a primeira derivada de uma curva Logística (que tomaria o nome de Curva de Hubbert) propondo um máximo entre 1966 em 1971. Repulsa e ridículo foram o retorno que recebeu. Em 1970 os EUA eram o maior produtor de petróleo do mundo e poucos se lembravam das previsões de Hubbert. Em 1971 a produção começou a decrescer e assim continuou em 1972. Em 1973 o dólar implodiu, os países árabes embargaram as exportações de petróleo para os EUA, que tiveram de sair à pressa do Vietname e mergulharam numa crise económica que duraria uma década. Os EUA tinham passado o Pico do Petróleo.</p>
<p>O Pico do Petróleo é o momento do tempo em que a produção deste líquido atinge o seu máximo numa região de interesse. O modelo proposto por Hubbert determina que este pico coincida com o momento em que metade das reservas são extraídas (estando ainda outra metade por extrair). Este é o evento de maior importância na produção de petróleo, não quando ela acaba, mas quando deixa de crescer e entra em declínio &#8211; quando deixa de corresponder à procura crescente.</p>
<p>Mas qual a importância do Petróleo para a Sociedade? É a sua maior fonte de energia e a mais prática de utilizar. É o petróleo que torna os outros recursos naturais facilmente disponíveis; estatisticamente o petróleo foi sozinho responsável por mais de metade do crescimento económico registado nos países industrializados durante o século XX. É ele que possibilita um sistema de transportes sem par na história, em que se viaja de continente a continente no espaço de horas. Foi sobre o petróleo que assentou a revolução agrícola que triplicou a população mundial nos últimos 50 anos, não só pela mecanização que possibilitou mas também pelos fertilizantes e pesticidas que permitiu desenvolver. E claro, é a base da indústria petroquímica, que para além dos pesticidas, produz plásticos, borrachas, esponjas, tecidos, pavimentos, lubrificantes e todo um sem número de produtos que tornam a vida moderna mais confortável. Em suma, foi este líquido precioso que possibilitou o crescimento exponencial em que as últimas gerações viveram.</p>
<p>Hoje o Mundo consome quase 1000 barris de petróleo por segundo, um pouco mais que 80 milhões de barris por dia. É um número colossal, no fim de um ano é perto de uma milha cúbica (um cubo com 1,6 Km de lado).</p>
<p><a href="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_estadosunidos.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-515" title="luis_estadosunidos" src="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_estadosunidos-300x187.jpg" alt="luis_estadosunidos" width="300" height="187" align="left" /></a>O Petróleo entra em praticamente todas as actividades do dia-a-dia e o declínio da sua produção terá os mais diversos efeitos. O colapso do crédito à habitação nos EUA durante os últimos meses é um dos muitos reflexos da subida de preços do petróleo dos últimos anos. Neste país o grosso da população vive em subúrbios de vivendas a distâncias consideráveis dos locais de trabalho e ensino: 40, 50, 60 Km são números comuns. O desenvolvimento de sistemas de transporte colectivos é perto de impossível e as populações ficam totalmente dependentes do automóvel individual. Sem petróleo barato este sistema simplesmente não funciona.</p>
<p>A Sociedade de hoje não está de modo algum preparada para a interrupção do crescimento exponencial imposta pelo Pico de Hubbert. Para o homem comum os bens mais importantes são adquiridos recorrendo ao crédito: o banco empresta-lhe dinheiro a determinado juro com a premissa de que o crescimento económico futuro lhe permitirá pagar não só a dívida como esse juro. Se o crescimento parar todo este sistema deixa de funcionar. As crises petrolíferas de 1973 e 1980 foram bons exemplos das consequências potenciais do Pico de Hubbert: desemprego, salários em atraso, crédito mal parado. Nessa altura as quebras de produção foram impostas por razões políticas, primeiro o embargo imposto pelos países árabes e depois a revolução no Irão e a consequente invasão deste pelo Iraque. Os países ocidentais entraram numa crise profunda, mas o desenvolvimento das reservas entretanto identificadas no Mar do Norte e no Alasca permitiram ultrapassar as dificuldades. No entanto quando a produção mundial de petróleo atingir o seu máximo de sempre, será por razões geológicas e o declínio será permanente.</p>
<p>Faltará responder a uma questão: Para quando esperar o pico da produção mundial de petróleo e o consequente final do petróleo barato? Tal como em todas as outras ciências, consenso é coisa que não existe. M. King Hubbert, em 1977, projectou um pico da produção mundial para o ano 2000, o qual foi adiado pela crise de 1980. As projecções dos cientistas de hoje espalham-se entre o “já ter acontecido” e o “só daqui a algumas décadas”, se bem que começa a existir uma grande concentração de projecções para o intervalo de 2010 a 2012. Dos cerca de 90 países que produzem volumes significativos de petróleo, mais de 50 produzem hoje menos do que o que já produziram no passado.</p>
<p><a href="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_mundo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-517" title="luis_mundo" src="http://www.energiasportal.com/wp-content/uploads/2009/03/luis_mundo-300x187.jpg" alt="luis_mundo" width="300" height="187" align="left" /></a>Em 2004, no apogeu da guerra do Iraque, a situação complicou-se. Com a economia mundial ainda a crescer vivamente, impulsionada por países emergentes como a China e a Índia, os países da OPEP atingiram o limite de produção; já não conseguiam mais responder ao ritmo galopante da procura. O preço do barril de petróleo passou os 30$, depois os 40$ e em 2005 os 50$. Desde então a produção mundial de petróleo estagnou por volta dos 80 milhões de barris por dia. Mas ao mesmo tempo os países produtores continuam a crescer em população e riqueza, o que implica que consumam cada vez mais do seu próprio petróleo. O resultado tem sido um decréscimo efectivo do volume de petróleo que aflui ao mercado internacional, aquele petróleo a que países como Portugal tem acesso. Esta é a razão principal por detrás das subidas de preços dos últimos anos.</p>
<p>A somar a esta estagnação estão sinais preocupantes em muitos dos principais produtores. Na Europa, onde se incluí uma das maiores províncias petrolíferas do mundo, o Mar do Norte, já todos os países passaram o pico de produção e estão em declínio. Outros como a Rússia, o México ou o Irão mostram sinais visíveis de cansaço, podendo enfrentar problemas sérios no curto prazo. E mesmo a Arábia Saudita, por quanto tempo mais poderá explorar os seus campos petrolíferos gigantes, alguns dos quais em produção há mais de 50 anos? O pico mundial do petróleo pode ainda não ter acontecido, mas não poderá estar muito longe.</p>
<p>O Pico de Hubbert desenha um horizonte sem dúvida sombrio. Mas esse futuro não terá que se desenrolar forçosamente se a Sociedade primeiro compreender que tem um problema e depois determinar-se a resolvê-lo.</p>
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