A Queda da OPEP
Efetivando a aproximação entre os produtores OPEP e os não-OPEP, os primeiros, ao voltarem a adotar um sistema de cotas de produção, após o contra-choque, deixaram de ter como preço de referência o Árabe Leve. Em substituição, uma cesta de sete crus 13 representativos passou a ser utilizada como preço referencial. O enfraquecimento da OPEP teve como conseqüência principal o esvaziamento da sua estrutura de preços oficiais, que passava a ser alinhado às cotações do mercado spot. Estas cotações vinham aumentando sua importância paralelamente ao enfraquecimento da OPEP. Para este esvaziamento contribuiu a questão das diferenças internas entre os membros da OPEP e a identificação de dois grupos de interesses distintos: os países com objetivos de longo prazo e os com objetivos de curto prazo. Esta situação dificultava o estabelecimento de práticas de cartel, impedindo o estabelecimento de cotas de produção e exacerbando os conflitos internos, prejudicando a coesão e o domínio do mercado.
Duas razões podem ser identificadas para o enfraquecimento da OPEP:
1. Primeiro, sua perda de controle sobre o mercado petrolífero. Esta perda pode ser representada pela redução de seu market share, resultante da conjugação do acréscimo da oferta de petróleo por parte de outros produtores e da contração da demanda mundial, motivada pelas políticas de substituição e conservação de energia;
2. Segundo, a dificuldade dos seus países membros manterem uma interação, ou seja, uma atuação coesa numa fase de cortes de produção, quando são fortes os incentivos a uma conduta individualizada como meio de escapar de perdas nas receitas.
Cabe observar que após os choques petrolíferos, combinaram-se duas novas tendências: a resposta ativa de política energética dos países importadores e o aumento da produção não- OPEP. Essas tendências configuraram uma importante mudança, com a transformação das condições de base desta indústria de um contexto de oferta limitada e concentrada em um número restrito de países e demanda crescente para um contexto de oferta excedente e demanda estabilizada. Desta forma, o poder de mercado dos países da OPEP foi sendo, progressivamente, reduzido. O principal reflexo dessa situação aparece na incapacidade desta Organização estabelecer o preço de referência do petróleo
Assim, as mudanças nas condições de base da IPM e o enfraquecimento da OPEP produziram importantes impactos nas formas de comercialização.
A redução progressiva dos contratos de longo prazo abriu espaço para volumes mais importantes nos mercados spot e futuro. A volatilidade dos preços passou a ser um fato marcante no mercado internacional do petróleo, bem como a crescente utilização de técnicas de comercialização associadas ao mercado futuro.
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