A Queda da OPEP
Uma das causas da crescente instabilidade mundial vivida nos últimos meses - quando crescem as ameaças de uma invasão do Iraque por parte dos Estados Unidos e circulam boatos de que o próximo alvo pode ser o Irão - pode estar ligada a uma instituição com papel preponderante na economia mundial dos últimos 30 anos: a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Três de seus países membros não gozam de boas relações com os Estados Unidos. Além de Iraque e Irã, a vizinha do Brasil, Venezuela, terceira maior exportadora para o mercado norte-americano e quinta maior produtora mundial, não é vista com bons olhos pelo finado governo dos EUA.
Tida hoje por alguns como enfraquecida, a Opep ainda é uma das instâncias mais poderosas do mundo. Controlando um pouco menos da metade das reservas petrolíferas do mundo (aproximadamente 40%), a Opep reúne onze países subdesenvolvidos que estabelecem para si cotas de produção com a intenção de controlar (através do aumento ou diminuição da oferta) o preço do petróleo mundial. Entre as principais causas apontadas para seu atual enfraquecimento estão o pouco respeito que os países membros têm mantido pelas cotas estabelecidas e o aumento da produção por parte dos países não ligados à Opep (como a Rússia, o México e o próprio Brasil). No quadro de realinhamento de forças e de reestruturação da indústria petrolífera mundial que se instaura após os choques do preço do petróleo, pode-se destacar alguns movimentos centrais, dentre os quais:
1. O enfraquecimento da OPEP e a redução da sua capacidade de impor os preços no mercado internacional;
2. O fortalecimento dos países consumidores que conquistaram poder para influenciar os preços através do mercado spot;
3. A recuperação das companhias internacionais através de novas tecnologias, redução dos custos e expansão da fronteira exploratória para novas áreas, sobretudo offshore, para o que as inovações tecnológicas que se difundiram no mesmo período, ou seja, posteriormente aos choques, foram primordiais.
Os altos preços do petróleo no mercado internacional, durante a década de 70, estimularam a busca por novas áreas exploratórias, além de viabilizarem a exploração de campos com custos mais elevados do que as reservas da OPEP. O processo de inovações tecnológicas também tornou viável a produção em larga escala em áreas não dominadas pela OPEP. Como conseqüência do aumenta da produção não-OPEP pode-se reduzir a dependência dos países dos países consumidores e companhias petrolíferas em relação ao petróleo da OPEP. Várias formas de resposta foram dadas pelos países consumidores aos choques petrolíferos (estratégias de substituição e conservação de energia), tendo como objetivo principal a redução da dependência pelo petróleo produzido pelos países da OPEP.A produção não-OPEP passou a concorrer com a produção OPEP, o que reduzia a capacidade desta última de fixar os preços do petróleo no mercado internacional. A partir de 1980, a OPEP teve que praticar sucessivos cortes na sua produção.
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