A reserva actual de petróleo da China está em 108,6 toneladas
A reserva actual de petróleo da China está em 108,6 toneladas, informou o Ministério da Terra e dos Recursos do Estado da China. Cerca de 21,2 bilhões de toneladas do petróleo bruto podem, ainda, ser alvançadas com a atual tecnología, apontou o ministério. Entretanto, a reserva de gás natural pode ficar em um máximo de 5,6 trilhões de metros cúbicos, enquanto outros 2,2 trilhões de metros cúbicos podem ser explorados com a tecnología que o país possui atualmente.
Além da Europa e da América do Norte, não há como excluir outro importante ator internacional em qualquer cenário visualizado para as próximas décadas: a China, que hoje já é o segundo maior consumidor mundial de energia (mais de 12%). Toda a estratégia chinesa de modernização se baseia no acesso a abundantes fontes energéticas. Suas indústrias básicas — aço, alumínio e químicos — são altamente “energívoras”, ao tempo em que a emergente classe média demanda cada vez mais eletricidade, óleo para aquecimento e gasolina para seus automóveis. O Departamento de Energia dos EUA estima que, na China, o número de carros leves deve dobrar até 2010, chegando a 56 milhões de unidades. Até o final da próxima década, a demanda por petróleo deverá dobrar, atingindo 11 milhões de barris por dia; a de gás natural deve mais que triplicar, para 120 bilhões de metros cúbicos; e a de carvão deve crescer 76%, atingindo 2,4 bilhões de toneladas por ano.
Em apenas uma década, os chineses passaram de exportadores a importadores de petróleo, sendo hoje dependentes de fornecedores externos em cerca de 40% do consumo. A produção de grandes campos no nordeste do país está em declínio e as grandes reservas no oeste ficam em regiões áridas e muito profundas, encarecendo a exploração. Além disso, a precária rede de distribuição até as cidades industriais, situadas na costa, representa mais um obstáculo a ser transposto. Por tudo isso, a Segurança Energética parece estar prioritariamente na pauta dos governantes chineses. Uma análise dos seus últimos atos permite afirmar que uma crise no setor, caso ocorra, terá sido inevitável e não uma surpresa. No final de 2004, o Conselho de Estado elaborou as diretrizes para a nova política energética, com horizonte temporal de 2020. Os objetivos são ambiciosos: ampliar o abastecimento externo; reduzir a dependência do carvão; construir mais usinas hidrelétricas e expandir as linhas de transmissão; aumentar a produção de gás natural; e incentivar a energia eólica e solar. O programa também prioriza o setor nuclear, prevendo a instalação de mais 31 reatores, além dos nove hoje em operação.
Visando a reduzir vulnerabilidades e diversificar as fontes de energia, a diplomacia chinesa tem sido particularmente proativa. A Rússia desponta como importante parceiro em potencial, especialmente no que se refere a um oleoduto a ser construído a partir da Sibéria. O detalhe é que, para o Japão, o melhor seria que o duto fosse até o porto de Nakhodka, no Pacífico, facilitando a importação do petróleo, por navio. Já a China deseja um traçado mais curto, até a cidade de Daqing, em seu território. Para isso, os chineses resolveram uma antiga disputa fronteiriça com a Rússia, ao tempo em que ofereceram cerca de US$ 12 bilhões em investimentos.
Mas as dificuldades são muitas, e a necessidade de diversificar as fontes de energia levou empresas chinesas a assinaram acordos para a exploração de petróleo e gás na Austrália, na Indonésia, no Irã, no Cazaquistão, na Nigéria, em Papua Nova-Guiné e no Sudão. Embora de pequeno vulto, esses acordos já representam aproximadamente 10% das importações de petróleo da China. Essa superficial análise da conjuntura mundial permite afirmar que as próximas décadas serão cruciais para a definição dos cenários energéticos, e que os principais atores internacionais empregarão todos os meios — políticos, diplomáticos, econômicos, sociais, científicos, tecnológicos e militares — para garantir o acesso às fontes de energia, em quantidades e preços adequados.

