Brasil descobre diversos jazigos de petróleo
O jornal americano “Wall Street Journal” diz na sua edição que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, “esquenta especulações” sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para “aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo”. Petrobras descobre mais petróleo na bacia de Santos. Segundo a reportagem, “a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global”.
O desenvolvimento do conhecimento geológico está baseado na formulação de teorias, comprovadas pelo processo chamado de método cientifico. Este método viabiliza a confirmação ou negações.As motivações para a pesquisa estão sempre relacionadas às necessidades de obtenção de conhecimento, visando a aumentar o poder econômico ou político. Assim, a humanidade tem evoluído no seu aprendizado sobre a geologia, visando à descoberta e ao uso mais eficiente dos recursos minerais. A partir da revolução industrial, esta nova sociedade estabelece o consumo energia, como um dos principais factores de produção. São as hipóteses formuladas para se explicar um determinado fenómeno.
Desde então, a busca pelo “ouro negro” incentivou o desenvolvimento de técnicas cientificas que auxiliassem na descoberta de jazidas comerciais de petróleo. Logo se verificou que as acumulações de hidrocarbonetos eram encontradas em bacias sedimentares. A história da evolução tectônica e o preenchimento destas bacias, de acordo com variados estilos deposicionais, foram determinantes na classificação e tipificação de ambientes propícios à descoberta de petróleo. Os pesquisadores franceses definiram o termo Zona Petrolífera para uma conjunto de campos de óleo e gás como sendo um volume de acumulações de hidrocarbonetos na rocha, que têm em comum a fonte, a história termal, o transporte e o selo, sobressaindo-se a característica de que os hidrocarbonetos tenham composição química similar, aspecto esse relacionado com a sua origem genética.
Para identificar um Sistema Petrolífero, o geólogo exploracionista deve encontrar algum vestígio de petróleo. Qualquer quantidade de petróleo é uma prova da existência de um Sistema Petrolífero, não importa quão pequena seja. Uma exsudação natural de óleo ou gás, um indício de óleo em uma amostra de calha de um poço, ou uma acumulação de petróleo, demonstram a presença de um Sistema Petrolífero. Portanto, as etapas para determinar o tamanho do Sistema Petrolífero, após a descoberta de sua existência, são:
- Agrupar as ocorrências de petróleo geneticamente relacionadas usando características geoquímicas e estratigráficas;
- Identificar a fonte usando a correlação entre o petróleo e a rocha geradora;
- Determinar uma área comum para a porção de acumulação da rocha geradora (pod), responsável pelas ocorrências de petróleo geneticamente relacionadas;
- Gerar uma tabela de acumulações para calcular o total de hidrocarbonetos no Sistema Petrolífero, e aquelas rochas reservatórios, que contêm a maior parte do petróleo. Por último, nesta fase de identificação, nomeia-se o Sistema Petrolífero.
Os aspectos espaciais do Sistema Petrolífero são definidos como sendo as informações sobre sua localização geográfica e sua posição estratigráfica. O desenho da geografia do sistema procura reproduzir a situação encontrada na época do momento critica. A extensão geográfica do Sistema Petrolífero é definida por uma linha pontilhada que circunda a porção da rocha ativa na geração de hidrocarbonetos (pod of active source rock), e todas as ocorrências, as exsudações e as acumulações originadas deste local (pod). O petróleo é gerado a partir da quebra das moléculas de querogênio na rocha geradora, causada pelo aumento da temperatura e pressão durante um período de tempo. A faixa de temperatura entre 65° a 165°C é denominada “janela de geração de óleo” e até 210°C, janela de gás (THOMAS, 2001). Nessas janelas são produzidas a maturação e a expulsão dos hidrocarbonetos, que depois se movimentam por flutuabilidade. Quando a saturação do óleo alcança 0,5 a 4%, as forças de flutuação e a pressão interna condicionam a movimentação do hidrocarboneto.
Este movimento pode ser desenhado por direções ortogonais às isso linhas de contorno da camada impermeável que controla a migração A partir da expulsão do hidrocarboneto é iniciado o processo de migração, que resulta sempre em perda das quantidades originalmente geradas. Na procura do melhor caminho, o fluido estabelece uma rota, por falhas ou por camadas de rochas porosas. A migração por falhas pode ser mais efetiva, mesmo contrariando a regra geral da permeabilidade sedimentar que é ser maior que a tectônica, em função de um maior gradiente de pressão encontrado. As técnicas actuais de exploração procuram identificar esses condutos naturais para encontrar e mapear as possíveis acumulações e escolher os locais de perfuração.

